11.1.10

REPOUSO INÓCUO NA SUA PRESENÇA

És fato irrefutável, direto e concreto que me vivencias,
És minha única objetividade talvez.

Falas, sempre singela, ao ser volúvel que me domina,
E convence-o.
Leva-me para caminhar distante em chão arenoso,
Bem devagar,
Espraiado,
Estendido ao horizonte curvilíneo,

Sob os raios solares recém chegados em nossa compania.
Fazes marulhar despretencioso o tempo que não termina,
Este incessante ir,
Vai e vem apreendido,
Admirado,
Vai e vem, em desejo liquido
À espera do momento do beijo ondulado
Na carne costeira dos lábios
teus.

Ao lado teu
O pensamento arredio paira e descansa,
Observa-te calmo, quase onírico,
Por entre azuis e brancos, revela-se tua presença

Ao encontrar-te, almejas o simples de tua mão e o leito de teu conteúdo

Para assim repousar em definitivo
Minha vazia felicidade...
paradoxalmenteeu_045

2.12.09

EXÍLIO PAULISTANO

O homem isolado torna-se irrefletido

Nos seus lampejos guardados

Dum pensamento aturdido...

E se te interpelam: Como fazes para conseguir ser no meio da multidão?

Digo-te que já és, basta-te sê-lo!

(...)

Aqui,

Dias de outrora

Residem no obstante passado

Que de tão distante...

Ocupa o lugar do exilado.

[EM CONSTRUÇÃO]: paradoxalmenteeu_044

26.8.09

NARRAÇÃO: ILUDIDOS, ALIENADOS!

 

Iludidos... !!! Alienados...!!!

Achamos que o mundo abre todas as portas ...

Podemos tudo, tê-lo subjugado aos nossos pés ...

As pessoas andam ...

Correm ...

Para todos os lugares ...

... em nossas máquinas de velocidade ...

Voamos ...

Mais alto do que podemos ...

... voamos bem alto ... em nossos pássaros prateados ...

... vencendo a gravidade ...

E mesmo assim ...

Somos incapazes de olhar para os lados ...

De ver a gravidade de nossos dias ...

Incapazes de sentir ...

De se comover ...

Incapazes de ouvir ...

... os pássaros de carne e pluma ...

... de matéria ... pássaros reais ...

Virtuais ...

Isolados ...

Somos incapazes de nos comunicar ...

... de pensar ...

... a cidade ...

A cidade se tornou  um vazio ...

... um vazio existencial ...

Sem pedestres ...

Sem carros ...

Sem som ...

Sem imagens ...

Vazia ... Morta ...

...........................

Mas me disseram que existem pessoas ...

Na penumbra ...

No submundo ...

Há pessoas ????

Na cidade esconde-se ...

ao mesmo tempo revela-se ...

+_paradoxalmenteeu_043

3.12.08

SUBIDA CELESTE I


Subida celeste por escadas “desdegradas”
Que me levam ao monte do santo beneditino
Contrariando a lógica de minha cética alçada
Encontro pessoas que levam para longe a bagagem do desiludido

Cada qual transborda em essência aguada
E carregam baldes para o recipiente manancial da vida
A umidade dos seus abrigos sem telhados
Retêm em pálpebras de laje as lágrimas da última chuva

O choro das lajotas visto em olfato mofado
Esfacelam-se pelo rosto das paredes sofridas
E no rajar único do sol em dia estancado
Somos levados aos terraços para desvelar o vento

... e ao longe uma cidade avistada em paisagem
vive o sono marginal de sua utopia...

Aqui os terrenos tremulam sem o sismo
E o meu pisotear é pesado, instável, deslumbrado, invisível...

A beleza, como sempre dita, é erudita
O varal multicolor faz-se expressar em roupa rota
Prenunciam também que logo abaixo vive gente miúda
Que assinam desenvoltas a escrita ausente dos próprios pais

O que agora me foi dito?
Caligrafado como manifesto de letras arredondadas
Nunca três palavras me silenciaram por tanto tempo
E me mandaram calar arrebatado

Por vezes havia caminhado em tristeza e melancolia
Mas logo aqui não havia tempo para anunciar tal teoria

Como em desmoronamento fui soterrado
Não houve tempo!
Estou encoberto
Estou povoado...

+ paradoxalmenteeu_042

10.11.08

VINHO


É como se meu cérebro em crânio comprimido
Contra as paredes ásperas dos ossos parietais
Tivesse o seu branco tingido em tinto
Tornando o solo calcário uno, massapê

O vento terral logo enturvece em paisagem
A nuvem paira sobre o terreno ocular
Tornando úmido o cristalino
Faz relaxar o glóbulo viceral

Do raciocínio torpe
Ao afago criativo
Do beijo em gole
Consumo-te feminino

Embriaguez dosada

Fortuita
E desejada
Assim tão rara pela escassez dos meus tostões...

+ paradoxalmenteeu 041

5.11.08

GEOLOGIA DO SER

Tudo o que nos desestabiliza
É uma forma de reconstrução mais plena
Mais bonita em si,
Pois tem incutida a possibilidade de mudança...

Olhar para dentro de si
É reflexo e reflexão do livre arbítrio
De algo-outro nos afetante
Das inscrições feitas por milênios ainda rupestres

No processo inconcluso da incompletude
É reconhecida sempre uma verdade abstrata
Motivada por se perder e encontrar-se sempre
Afecções sobre afetos
Raciocínios sem intelecto
Assim, estratos se superpõem de peso em pluma
Numa geomorfologia de sujeito, corpo,
Grão e lama

A prospecção do extrato essencial é abismar

É cavar o terreno em rocha com as mãos nuas...

+paradoxalmenteeu 040

ASSOBIO SEM ASAS


O som se propaga maciço
Num vôo de assobio sem asas
Corrida aos compartimentos vazios
Eco em mentes aprisionadas...

Mas se supostamente em grito admito:
Não acredito em nada!
Ao mesmo tempo me contradigo:
É tudo o que sinto! Tão nulo quanto um deserto na esplanada...


+ paradoxalmenteeu_039

24.9.08

IDEOLOGIA

Estou cansado
E sem muitas saídas
A trapaça humana me sufoca
E meus esforços isolados estão em xeque
Vejo-me em labirinto de maldade
Cheio de arestas por onde existe pranto perdido...

... , mas aparecem todos vocês ...
e mãos infinitas para me levantar...

Sinto o alivio da amizade
O amor da menina
... sem isso não existe ideologia!

Fortaleço-me

É preciso caminhar...

+paradoxalmenteeu_038

PALAVRA E PRANTO

Todo processo de pensamento escrito começa em lágrimas...
É hora de desabar em sentimentos
Que rolam pela face em processo líquido
Gotas silábicas
Que intumescem o chão árido do papel infértil
Aqui,
Aprisionados em grafite e pranto
Faço o plantio estéril das palavras...


+paradoxalmenteeu_037

17.8.08

5 MINUTOS


5 minutos
5 minutos para pensamentos
5 minutos para imaginar o que te diria
Se por 5 minutos aqui estivesse..

Por apenas 5 minutos desejaria
E em rompante, em 5 minutos atravessaria o mar em ponte
Para logo após repousar ofegante, por 5 minutos em seus braços se me permitisse..

Seriam 5 minutos de beijos breves
E findo o tempo, por mais 5 minutinhos pediria que ficasse
Para que assim em minutos de 5 em 5
Renovada seria sua presença multiplicada..

Desta forma, somados em partes de 5, em minutos renasceria
Não mais por dias divididos em 24 de hora..

Mas 288 vezes a cada dia ...

+ paradoxalmenteeu_036

5.8.08

SEU SONO

(...)

Faltam-me adjetivos para traduzir a beleza completa do seu sono
É como se todas as palavras repousassem do seu pulsar
E a linguagem no seu comunicar inquieto bastasse em ti
Deslizo minhas mãos sobre seu rosto em escrita
Compondo frases e versos que te contém
Em ti, aqui, ao seu lado, construo minha poesia.

+ paradoxalmenteeu_035

31.7.08

PALÁCIOS
Sempre antes avistado
Os Palácios de Niemeyer nunca antes haviam sido sentidos em plenitude
Numa beleza vigiada
Separada em castas de um plebeu
No distanciamento de te avistar
Como em cartão postal me restringia
No respeito ao monumento
Na pequenez do meu corpo
Hoje, parecem-me receptivos
Numa audiência marcada com minha percepção de possibilidade
Meus pés dizem que caminhe em sua direção
Contrariando a razão
Permitindo a contingência
Um ato talvez de subversão a uma condição submissiva
Ao certo me falta o ar, mais do que de costume
Nos quilômetros a metros de mim
Preparo-me respeitosamente
Uso linguagem em norma culta
Como para a conquista do primeiro beijo da mulher amada
Chego mais perto
Ao ponto de nossas respirações vibrarem juntas
Faz-se turbulência
Eu e edifício
O primeiro toque é marmóreo e frio
Numa gelidez que perpassa ao meu corpo
Faço-me branco como a pedra iluminada
Não sinto nada em anestesia
Julgara a perfeição intátil, inviolável, intangível...
Agora depois de te profanar em toque
Acaricio passeante suas curvas intumescidas que apontam ao céu
Formas eruptivas
Espairecem meus olhos em estesia
Ver-te assim
Arqueada em costas e nádegas
Na volúpia de querer também ser minha
E eu, simplesmente, ao te ver assim
Repousada, linda em suas vestes brancas sobre solo
Consumo-te como a poeira morena que te suja desinibida...
+ paradoxalementeeu_033

28.7.08

CAIS DE BELÉM

Todo esse ruído televisivo
Toda essa embriaguez sonora
Desse ir e vir embarcado
Do gole do álcool consumido
Tudo isso me atordoa
Tudo isso me apaixona
Da gargalhada em estampido da senhora
Ao motor enrouquecido
Todo esse horizonte líquido me apavora
Todo esse desconhecer do desconhecido...

(...)

A minha não liberdade de ir a qualquer lugar
É oportunidade de sonho, utopia escrita, desejo em desenho...

O tempo do meu pensamento é a permissão de ir ao encontro comigo mesmo

Todos os outros, que vivem sob o delírio de minha observação incompleta, são completamente despretensiosos do meu olhar...

Minha interpretação afinal, não é nada.

(...)

O debate da correnteza com o sol dormido
Traz rasante fractura do espelho iluminado
Na nitidez da imagem inoportuna
O corpo espectável ao fim-do-dia
No horizonte da aurora solar padecida
Faz do início da noite espectro da lua sombria...

(...)

Um brinde solo
Ao sol que também se vai sozinho
Nesse mundo andarilho
Há muitos momentos de descaminho
Embora aqui, só
Percebo muitos a debruçar seus pensamentos em rios de infortúnios
Rostos tristes
Semblantes esperançosos
Beijos e mais beijos apaixonados
Todos resplandecem nesse salvo momento de permissão ao parar
Glorioso tempo
Primoroso instante
Agora, tornou-se ouro até o mais roto ser humano
Uma luz que dignifica aos que sobrevivem
Recomeço incerto aos fins dos dias...

Assim, ainda somos capazes de almejar outros tempos no horizonte!

(...)

O sol decai lentamente
Assim como
Pouco a pouco
A garrafa se faz vazia
São contagens líquidas de instante
De lembranças que sua presença ausente enuncia
Explico tão contraditórios pensamentos
E ao mesmo tempo não tenho respostas
Pois de muitos antagonismos se fazem uma única verdade
Verdade você.

(...)

Chegada da embarcação
Observo olhares que avistam o atracadouro após viagem cansativa
Vontade, desejo e rompimento da solidão
Encontro terrestre que se torna enlace
Intercepção de braços após longa despedida...

(...)

Sob o mesmo sol que em mim projeta
Imagino raios luminosos tocarem seu rosto
Desviaria minha atenção do horizonte
Pois elegi a ti a beleza mais completa
Não me questiones sobre minhas escolhas
É direito meu
Implícitos e que me despertam
Seria como rever verdade certa
Questionar o beijo do rio no oceano
É assim, desculpe-me, que correm desejos insanos...

(...)

Quantos são os seres que contemplam oceanos?
No instante profano do sol em despedida
Quantos casais, amantes e suicidas
Reafirmam sob o sol compromisso de viver

Viver é oceano no sol da despedida
Pois contemplamos profanos casais sob compromisso
Da mesma forma que o vento empurra o sol em precipício
A nuvem em ave faz rastro celeste
Ainda não sei o que clamo
Ainda não me precipito em te dizer...

+ paradoxalmenteeu_032

27.7.08

ILUMINURAS DA MANHÃ

Conseguistes me trazer de forma inusitada
A beleza de sua quietude nesses dias
Do rosto desenhado em iluminuras pela manhã nascente

Com seu caminhar me levou pelas ruas nos primeiros instantes da alvorada
Mostrou-me junto a mim o equilíbrio de passos incertos
E o calor possível quando se sente frio
Compreendo-te pouco
Mas te imagino simples
Como as coisas laboriosas da natureza
Calcadas no mistério que instiga
Que desestabilizam o alicerce reto da compreensão
Fica e ficaram aqui fragmentos de ti
Gravados no momento-instante pétreo
De minha memória erodida

+paradoxalmenteeu_031

26.7.08

AOS AMIGOS


Idéias são como inflexões de pensamentos
Sustentados de propósitos
Nascentes, nascidos a cada dia mental raiante e luminoso
Vejo o universo de amigos projetados em sombras
Da sarjeta
Embotados em chão simplório
Os tenho construídos parcialmente em imagens indolentes
Pouco importa
Já os conheço
Em verdade e síntese das suas constituições defectíveis
Obtidos um a um em essência de atitudes
Sempre corretos ao meu entender
Sempre sinceros...

Dentre os maiores feitos vividos
A escolha de irmãos
Companheiros não nascidos
Suplantam matéria concreta de sangue
Edifícios adjetivos nas suas substâncias
São acolhimento da não ambição
Casebres,
Abrigos,
Amigos
São teto protegido
Dessa chuva chamada vida
Dessa tempestade chamada morte...

+paradoxalmenteeu_030

7.7.08

... nem sei se é dia ou noite ou chove ...

DESCRIÇÃO DO PÔR-DO-SOL

A luz cai lentamente

Refletindo sobre as folhas o tom dourado

Esmaece...

Torna-se térreo...

Como o quintal que avisto de minha janela

Parece que todos os seres silenciam

E observam tal momento

Não existem mais ruídos

Os pássaros pararam de cantar

O vento interrompe seu assobio

E pouco a pouco vou perdendo a profundidade das coisas

Como na turvação da tontura

Como o fechar dos olhos no beijo

Se a noite é escura

Volto-me para dentro

Como se o dia com a chegada noturna nascesse dentro de mim

Imagino em memória as cores

A beleza das formas

Lembro-me de ti...

Luminosa em meus pensamentos

Sentimento cálido em corpos distantes

O declinar do dia com você é contraditório aos fatos da natureza
Na escuridão da noite fria
Desfaço minha agonia
A certeza introspectiva da sua existência está anunciada

Por ires e pores

Passados por dias

Passados por noites

E por todos eles

Assim, se necessário for, os descreverei em minúcias

Por fim

Por início

Vencendo o distante precipício

De minha janela aberta ao recinto fechado em que se encontras...



+ paradoxalmenteeu 029

15.6.08

PLATAFORMA DE SUBJETIVIDADES
Andando pelas ruas
Vagando com meus pensamentos
No entrecorte de sombras do dia
Com o pensamento cheio de lampejos...

Do que se trata a interpretação dos “eus” no mundo em que não existe nós?
São corpos expostos nus ao sol e à poeira
De comportamentos
De compartimentos de indivíduos condicionados a um arquétipo
Bloco polido de “eus” arrastado ao longo da história
Desgastado e bruto em sua base
Trincado nas arestas pelas correntes que o carrega e propulsiona
E nem minimamente sabemos para onde vamos
Na tarefa da verdade absoluta das coisas
É paradigma dito
Ditado
Sem nunca sabermos quem é o obscuro ditador
... onipresente e covarde.

Assim, derivando perdido pelas ruas
O que vem à minha cabeça sobre a interpretação do que sou...

A música sinestésica do Pink Floyd, ou o cenário social das construções sonoras de Chico Buarque; a poesia de Neruda; a imagem da obra de Niemeyer; a crítica existencialista de Sartre; os mil platôs de Deleuze e Guattari... Tudo isso emana do meu conteúdo, ao mesmo tempo em que a vida me atravessa o corpo em fragmentos ...

... barulho da ambulância próximo ao marulhar do mar ... cheiro do almoço próximo ao lixo ... sombra do edifício no mormaço do asfalto ... a beleza feminina enquadrada na degradação humana ... paradoxos de uma verdade pronta e mal resolvida.

... minha voz não consegue falar ...

E eu...
O que sou?
O que penso?

Paradoxalmente sou eu mesmo...

Recrio minhas imagens e interpretações em
devaneios
Saio ao mundo em compreensão diminuta
Afetando-me pelas circunstâncias do outro,
Faço registros rápidos, não há tempo para ter tempo...
Mesmo assim desacelero o tempo num gesto inconcebível a me questionar:

Como comunicar a forma e o modo do que se passa comigo?
Como falar do que observo, do que assimilo, do que compreendo dos outros?
Será que posso tomar autoria do que é muito mais doutros do que meu?

Preciso me colocar livremente.
O outro em mim deve ter a mesma liberdade,
Numa instância em que não exerço o condicionamento da enunciação.

Coloco-me,
Coloco a possibilidade, e imediatamente me retiro,
Abro lugar a outras interpretações e interações
Concluo que não me pertence o que penso,
Nunca me pertenceu... Isso é liberdade!

Apenas construí minhas relações...
Captei ao meu modo com antenas sensoriais que me pertencem
Cada um de nós as possui apontadas em alguma direção ou para todos os lados
Desatei minúsculas amarras que nos aprisionam sutilmente

Essa é a estrutura do trabalho que se perfaz:

... conteúdo, fragmentos, devaneios, impressões...

E tudo, praticamente tudo possui relações

O que ao longe transparece liso, polido, lustroso...
É a impressão primeira das dobras da vida

Ficamos parados contemplando a mesma
Ou imergimos na descoberta dos sentidos?

Cada um ao seu modo, abrindo portas, elegendo caminhos, deixando rastros...
Mas ao mesmo tempo construindo subjetividades e as abrindo numa plataforma imanente de coletivização dos desejos

E até mesmo voltar não se dará da mesma maneira...



+ paradoxalmenteeu 028

Exercício textual sobre a PLATAFORMA DE SUBJETIVIDADES.

2.5.08

AOS ESTUDANTES

Quando tudo é silêncio e deserto
É hora de a voz saltar
Do braço em impulso retomar o desenho
Do corpo em grafismo repovoar as cidades...
A timidez é o menor dos sentimentos a serem vencidos
O tom do som deve ser baixo
Nunca ruído...
Em altura suficiente a se fazer chegar aos ouvidos
Palavras ditas são verbos de mudança
Exaltar a voz
É grito último para quem perdeu a razão
Contundência nas atitudes...
E podemos edificar o que quisermos
Inclusive a nós mesmos
Não há guerra aqui, já existem suficientemente pelo mundo...
Não há soldados, mas arquitetos e urbanistas...
Temos que construir na destruição
E destruir as estruturas da injustiça humana
O território está aí
Repleto de vidas que não tivemos fôlego de ter por perto
E nos falta ar com tal responsabilidade...
Nossos pensamentos estão cheios...
É hora de repousá-los aqui, juntos
Na sala de nossa casa chamada CEMUNI III.

+paradoxalmenteeu 027

25.4.08

BEIRA MAR

Quando tudo não anda ao certo
É preciso ir ver o mar
Vagar descalço no gramado
Atirar pedras nas pedras calmamente adormecidas
Estas, submersas em lençol aquático
No suave toque úmido
Das carícias das marés
Em seus sonhos cristalinos
Sonham algas, sonham peixes, sonham nuvens de espuma salina
O trovão polvoroso nos porões dos navios
É prenúncio de partida
Destes mensageiros do tempo distante
Que flutuam recortantes a quietude angelical d’água
Ondulam em beleza reflexiva
As luzes da cidade
Espelhos abstratos
Nunca compreendi suas formas em verdade
A mentira que me escondes
É fluido escuro e noturno
Areia da profundidade
E mesmo embotado em lágrimas particulares
Após o choque contra a rocha
És brisa fina e passageira
Névoa
Sinopse em corpo em suspensão
Para mim
Depósito aliviante da minha maldade.

+ paradoxalmenteeu 026

9.4.08

SEU JARDIM


Sob a sombra de árvores anônimas
Soletrastes versos da alma verdejante
Levaste-me à estirpe do mundo
Para me mostrar desinibida o jardim que cultivaste.

Arrancou-me de terra infértil
Sacudiu-me das raízes ao tronco
Expôs-me à tempestade com suas palavras
E me fez deitar em solo para pensamentos...

Inverteu sintaxes
Transgrediu semânticas.

Tomaste-me pela mão em viagem insólita pelo mundo...

+ paradoxalmenteeu 025